Como se fosse mágica algo inexplicável aconteceu. Enquanto lidava com alguns espectros de luz diferentes do comum, Daniel, um jovem físico em seu ultimo ano de faculdade, deixou cair seu cigarro apagado no feixe o qual ele esperava transmitir dados de uma maneira fácil e rápida. Ele pegou o cigarro e minutos depois acendeu-o. A primeira coisa que ele percebeu foi a falta do gosto característico do cigarro, ele havia se tornado saboroso, como café torrado. O cheiro também mudará, tanto na fumaça quanto em suas baforadas. A partir desse momento a industria do cigarro mudou. O feixe de luz não só mudou o gosto e o cheiro do cigarro, ele também inutilizou as substancias cancerígenas do produto criando algo que era parcialmente inócuo e muito mais saboroso.
A industria do cigarro passou a ganhar muito mais dinheiro. Todos os fumantes começaram a usufruir do direito de fumar na frente dos outros, leis anti-tabagistas caíram por terra. Os não fumantes não reclamavam mais, na verdade, eles agora acompanhavam os fumantes em suas baforadas diárias, era uma pausa para ambos, sem o aspecto ruim que o cigarro deixava. Muitos ex-fumantes voltaram ao vicio, alguns não fumantes adoraram a idéia do gosto de café e do suposto relaxamento que aquele novo vício criava.
Mas dentre todas as novas e supostas vantagens, existia um problema que todos tão solenemente ignoraram. A nicotina ainda estava lá. O cigarro podia não matar, mas ainda viciava, e agora, muitos diziam, viciava mais que antes. Com isso a economia entrou em colapso, não de uma vez, mas aos poucos. As pessoas compravam mais cigarros, que, por sua vez, para atender a demanda, ficavam mais caros. As pessoas iam ficando mais viciadas e cada vez com menos dinheiro. O mercado chegou em um ponto de saturação, os governos tiveram que brigar para que os produtores não parassem de cultivar alimentos em prol do tabaco. O preço dos alimentos subiram, assim como o dos cigarros. Paises entraram em guerra e quase houve uma aniquilação mundial.
As pessoas famintas, viciadas e revoltadas investiram contra as empresas de tabaco. Invadiram fabricas e escritórios, tombaram caminhões e saquearam suas cargas. O mundo estava em uma enorme guerra civil, e então, os cigarros foram proibidos para sempre, assim como as plantações de tabaco.
Nesse momento, o submundo, que infelizmente sempre está um passo a frente das pessoas justas, começou a plantar clandestinamente o tabaco. Ilegalmente entrava com ele nos paises e distribuía para as pessoas que ainda possuíam o vicio. Só que eles começaram a modificar o espectro de luz original que tirava o odor e outros males do tabaco, e com isso criaram um tabaco tão viciante que poucas pessoas resistiam depois de uma primeira tragada. O odor e o sabor sumiam com o novo espectro, deixando nenhum traço no corpo e, por conseqüência, nenhuma forma de detecção, a única desvantagem era que, agora, o cigarro era altamente cancerígeno.
A Máfia, como não podia deixar de ser, não ligava para isso. Eles não usavam o próprio produto...
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