quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Deus e o Ócio
Deus e a solidão
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Ode a quem não pode (ou Ode a quem te fode)
o que mais passa é o passaralho
que passarinho metido
pulando de galho em galho
Um passaro intrometido
que se mete onde não é chamado
Não passa despercebido
e deixa tudo em frangalhos
Um passarinho muito ativo
Que gosta de um desavisado
Que pega que está caido
E joga ainda mais pra baixo
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Forte!
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Mudanças
Como se fosse mágica algo inexplicável aconteceu. Enquanto lidava com alguns espectros de luz diferentes do comum, Daniel, um jovem físico em seu ultimo ano de faculdade, deixou cair seu cigarro apagado no feixe o qual ele esperava transmitir dados de uma maneira fácil e rápida. Ele pegou o cigarro e minutos depois acendeu-o. A primeira coisa que ele percebeu foi a falta do gosto característico do cigarro, ele havia se tornado saboroso, como café torrado. O cheiro também mudará, tanto na fumaça quanto em suas baforadas. A partir desse momento a industria do cigarro mudou. O feixe de luz não só mudou o gosto e o cheiro do cigarro, ele também inutilizou as substancias cancerígenas do produto criando algo que era parcialmente inócuo e muito mais saboroso.
A industria do cigarro passou a ganhar muito mais dinheiro. Todos os fumantes começaram a usufruir do direito de fumar na frente dos outros, leis anti-tabagistas caíram por terra. Os não fumantes não reclamavam mais, na verdade, eles agora acompanhavam os fumantes em suas baforadas diárias, era uma pausa para ambos, sem o aspecto ruim que o cigarro deixava. Muitos ex-fumantes voltaram ao vicio, alguns não fumantes adoraram a idéia do gosto de café e do suposto relaxamento que aquele novo vício criava.
Mas dentre todas as novas e supostas vantagens, existia um problema que todos tão solenemente ignoraram. A nicotina ainda estava lá. O cigarro podia não matar, mas ainda viciava, e agora, muitos diziam, viciava mais que antes. Com isso a economia entrou em colapso, não de uma vez, mas aos poucos. As pessoas compravam mais cigarros, que, por sua vez, para atender a demanda, ficavam mais caros. As pessoas iam ficando mais viciadas e cada vez com menos dinheiro. O mercado chegou em um ponto de saturação, os governos tiveram que brigar para que os produtores não parassem de cultivar alimentos em prol do tabaco. O preço dos alimentos subiram, assim como o dos cigarros. Paises entraram em guerra e quase houve uma aniquilação mundial.
As pessoas famintas, viciadas e revoltadas investiram contra as empresas de tabaco. Invadiram fabricas e escritórios, tombaram caminhões e saquearam suas cargas. O mundo estava em uma enorme guerra civil, e então, os cigarros foram proibidos para sempre, assim como as plantações de tabaco.
Nesse momento, o submundo, que infelizmente sempre está um passo a frente das pessoas justas, começou a plantar clandestinamente o tabaco. Ilegalmente entrava com ele nos paises e distribuía para as pessoas que ainda possuíam o vicio. Só que eles começaram a modificar o espectro de luz original que tirava o odor e outros males do tabaco, e com isso criaram um tabaco tão viciante que poucas pessoas resistiam depois de uma primeira tragada. O odor e o sabor sumiam com o novo espectro, deixando nenhum traço no corpo e, por conseqüência, nenhuma forma de detecção, a única desvantagem era que, agora, o cigarro era altamente cancerígeno.
A Máfia, como não podia deixar de ser, não ligava para isso. Eles não usavam o próprio produto...
terça-feira, 7 de abril de 2009
O tempo para
Ela começou a atravessar a rua com a dificuldade de quem tem uma perna torta que não podia ser apoiada no chão e ao começar o seu desfile ritimado e esquálido pela faixa de pedestres, repara no carro bonito e no moço bonito dentro dele.
Os olhos se cruzam...e o tempo para.
Milésimos de segundo depois o tempo volta.
Rodrigo, com certo asco se dá conta de que está sendo paquerado pela moça, a paralítica de perna torta e disfarçadamente vira o rosto. E ela? Ela estava paquerando mesmo, sentiu a necessidade feminina de ser desejada e de escolher quem queria para si, mesmo sabendo que não seria correspondida. Rodrigo olha novamente.
Os olhos se cruzam...e o tempo para.
Milésimos de segundo depois o tempo volta.
Tentando resistir, mas sem muito efeito, Rodrigo é levado a um atordoante pensamento que criava visões de uma cama, ele nu, ela nua...Ela quem? A paralítica da perna torta. E antes que a imaginação concluísse o ato, num átimo de repúdio ele acelera passando o sinal vermelho. No cruzamento, um ônibus em alta velocidade pega o carro novinho de Rodrigo em cheio, fazendo-o capotar por vários metros.
Os olhos se fecham...e o tempo para.
Milésimos de segundo depois o tempo volta.
Fumaça, correria, gritaria. Sem entender e com dificuldade de respirar ele vê pessoas chegando perto dele. O carro totalmente moído mas com o rádio ainda tocando sua música. Entre quase desfalecimentos e gritos de agonia, seu olhos encontram ela, a paralítica da perna torta.
Os olhos se cruzam...e o tempo para.
Rodrigo desmaiou.
Meses depois, Rodrigo já recuperado, passeia na praça perto de casa e ao longe vê a paralítica, andando em seu rítmo cadenciado e ligeiro. Um impuslo de ódio irrompeu de dentro dele e ele tentou alcança-la, mas do alto de sua cadeira de rodas o máximo que conseguiu foi cair de cara no asfalto quebrando o nariz.