quinta-feira, 2 de abril de 2009

Ela

Ele se encontra no metrô. Lendo um livro a muito já lido e totalmente digerido pelo seu inconsciênte. Seus olhos pulam o texto como se fossem cabritos brincando na montanha, conhecendo o caminho de cor e sem se preocupar com qualquer falta de atenção.

Ela desce correndo as escadas rolantes, trombando e batendo em pessoas mal-educadas que se opõe no caminho entre ela e o tão necessário transporte.

Os dois se encontram na mesma estação. Ele sentado em seu lugar, olhos no livro e relances nos passageiros. Quando ela entra, seus olhos se encontram.

"Será que a conheço?" pergunta a si mesmo. "Só pode ser, seu rosto me é tão familiar. Mas da onde eu a conheço? Será de um antigo emprego? Será da minha infância? Não, da minha infância não. Morei muito longe, lembro de todos que deixei pra trás. Estou com medo, mas não resisto, vou falar com ela."

 - Oi, com licença - Ele diz - Eu não te conheço de algum lugar?

Os passageiros olham ressabiados. Alguns com sorrisos de escarnio no rosto, outros com uma ligeira vergonha daquela frase. Aquela ligeira vergonha alheia tão conhecida de tanta gente.

 - Que cantada velha, não? - Diz ela com um sorriso amarelo.

 - Vai tomar no cú, caralho! Eu só quero saber se a gente se conhece! - Diz com evidente raiva no rosto.

 - Não! Não nos conhecemos! - Diz ela nervosa - Agora, com licença. - e dirige-se ao fundo do vagão.

Ele termina o dia com aquela dúvida de onde a conhecia. Ela também.

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