quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Deus e o Ócio
Do alto de seu ócio Deus resolve fazer o homem.
Ele pega um pouco de barro, molda e cria uma criatura maravilhosa. Inteligencia infinita, bondade no coração, agilidade inequiparavel e fiel como nem seus anjos poderiam ser.
Ele amassa a criação em uma bola (fica pensando em usar essa criatura, diminuindo-lhe o tamanho, chama-la de "Rato" e deixa-la dominar o mundo nos bastidores).
Após isso senta, pensa um pouco e tenta denovo.
A segunda criatura não sai tão boa, não tem metade da inteligencia ou da agilidade, mas ainda assim é boa e extremamente fiel.
A criatura volta ser uma bola de barro.
Na terceira tentativa Deus pensa um pouco. Molda a criatura da maneira que moldou as primeiras, só que dessa vez tira o rabo. Coloca um polegar opositor e só um pouquinho daquela inteligencia toda. De resto deixa tudo bem maleavel, a criatura pode ser fiel ou não, ser agil ou não e ser bondosa ou não.
Deus olha para a criatura, pensa bem e diz:
- Pode não ser perfeita, mas que vai ser divertido ve-la andando pela Terra, vai.
E assim também criou um plano B, para poder destruir as criaturas se elas dessem trabalho.
Chamou esse plano B de vírus.
Deus e a solidão
Do alto de sua solidão, e na necessidade de conversar com alguém Deus resolve fazer o homem.
Mas por que o homem? Por que nada melhor do que um homem para conversar.
Pega o barro, aquece-o entre as mãos....assim como se fosse algo muito precioso. Em sua boca, um sorriso de canto, evidenciando uma certa traquinagem...coisa de criança. Vai moldando braços, pernas, cabeça, tudo com um carinho intenso. Carinho que só o mais puro amor pode transmitir.
Enquanto trabalhava, Deus pensava nos assuntos que poderia conversar, sobre as coisas que ele poderia ensinar, que poderiam bolar juntos alguma coisa de homem, talvez algum jogo onde vários homens pudessem disputar alguma coisa, com uma bola num campo demarcado. Estava feliz, ansioso por sua criação poder-lhe proporcionar algo que não fazia desde a eternidade: Conversar.
Por fim, deu à sua criação um cérebro e o dom do livre arbítrio, afinal seria chato demais ter alguém que só concordasse com seus argumentos. Soprou seu hálito divino na criatura e ela ganhou vida. Então pegou o homem, que adormecido estava e com todo o cuidado de um pai, coloco-o no Paraíso, embaixo de uma paineira frondosa e perto de um riacho. Tudo bem feito e gostoso.
Então o homem acordou. Bocejou e olhou ao redor. Viu Deus, ali perto dele sentado numa pedra. Tinha um sorriso largo e bondoso e Deus não aguentando de felicidade e disse:
- Bom dia meu filho!
E o homem, com uma cara de sono respondeu:
- Ah velho, não enche o saco e me deixa dormir. - Virou para o lado dormiu sem cerimônia e sem vontade nenhuma de conversar.
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