
Ariovaldo, triste, subiu até o terraço naquela noite...foi demais vê-la nos braços de outro cara. Mas não era qualquer cara, era um pé rapado de um moleque sem eira nem beira, que usava calças largas abaixadas até quase metade da bunda...Vê-los se esfregando no carro, com o ardor bestial dos amantes em fogo era algo que o queimava também, queimava o que restava do seu orgulho. Subiu na escadinha que dava em cima da caixa d'água do prédio, sentou-se numa pequena mureta e começou a chorar, chorou feito criança...ajoelhou-se, amargurado, como que procurando algo ou alguém que o salvasse daquele sofrimento antes de se jogar. Por entre lágrimas, percebeu que havia um pequeno recado na mureta, bem na linha de sua cabeça baixa e lá ele leu: "Lembre-se que sua mulher te deu chifres, não asas!" xxxxxxxxx.
Estancou o choro e um sorriso leve brotou do canto de sua boca e junto com ele a certeza de que seria melhor ser um corno vivo do que um morto. Respirou fundo e desceu, com uma estranha sensação de redenção.
Num cantinho escuro do terraço, sr Josevaldo, esperava que Ariovaldo pegasse o elevador e com um lápis na mão, subiu até a mureta da caixa d'água e marcou mais um x para sua coleção de cornos salvos.
Num cantinho escuro do terraço, sr Josevaldo, esperava que Ariovaldo pegasse o elevador e com um lápis na mão, subiu até a mureta da caixa d'água e marcou mais um x para sua coleção de cornos salvos.
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